Rubrica : Cultura / Lazer
“Temos todo o nosso melhor empenho para o estabelecimento de uma relação duradoura e consistente com Maribor”, afirmou Francisca Abreu, vereadora da Cultura de Guimarães e membro não executivo do Conselho de Administração que gere a Capital da Cultura portuguesa.
Admitindo que “as ligações com os jovens países de Leste são mais recentes”, e sem o peso histórico que há entre Amesterdão e o Porto, e que se refletiu na programação destas duas capitais da cultura, a vereadora destacou “o empenho em projetos comuns”.
Entre os eventos programados está o intercâmbio entre jovens, já iniciado no Verão passado, a edição de duas antologias de poesia portuguesa e eslovaca do século XX e a realização de um fim de semana dedicado ao futebol, com jogos e concertos de música, “uma forma de ligar as duas cidades com este desporto que, de alguma forma, também é cultura”, salientou Natasa Kos, responsável pela programação da área internacional de Maribor, lembrando que o embaixador da cidade eslovena em Guimarães é Zlatko Zahovic, que jogou no Vitória e agora é diretor desportivo do clube local.
O projeto da Capital Europeia da Cultura foi apresentado pelo diretor responsável pela programação, Mitija Cander, no seu discuro introdutório, como a oportunidade de Maribor, que sofre com a crise económica, “ganhar uma nova autoestima e uma nova identidade aos olhos dos outros”.
“Podemos dizer que o nosso maior objetivo foi envolver todos os cidadãos de Maribor e as pessoas das cinco cidades que são nossas parceiras, que pertencem a uma zona menos desenvolvida da Eslovénia”, afirmou, por sua vez, Natasa Kos, em entrevista telefónica à Lusa.
O reflexo disso está nas quatro linhas de programação que irão unir 412 projetos. A “Urban Farrows", lida com tudo o que é periférico, com os grupos sociais marginais, a “Town Keys” aposta no envolvimento dos cidadãos, a “Life Touch” pretende criar ligações entre criadores e projetar a Capital da Cultura no mundo virtual, ficando para a “Terminal 12” as manifestações artísticas, “orientadas para o futuro”, como descreveu Natasa Kos.
A completar estas linhas programáticas está o trabalho de internacionalização, com o programa das “Embaixadas Culturais” que envolve 24 países (estando previsto que Portugal o apresente as suas propostas em novembro), a cooperação com o meio universitário e projetos de envolvimento dos cidadãos com necessidades especiais.
Natasa Kos admitiu que a crise “que começou há dois anos, teve impacto ao longo do último ano de organização mas sentiu-se mais nos projetos de infraestruturas, que abrandaram”, sendo possível “manter a visão programática” que estava no projeto inicial.
“A maioria das cidades europeias enfrenta um certo perigo, que é o de se tornarem não-locais, ou seja, localidades sem identidade própria, e o projeto da Capital Europeia da Cultura é uma oportunidade de restaurar esta identificação comum”, afirmou no seu discurso Mitija Cander. “Este esforço é crucial e só o reavivar da cidade como um organismo de diversas funções, pode trazer crescimento económico”, acrescentou.
Talvez por isso o ano de 2013 vai ser um ano de investimento em eventos naquela cidade próxima dos Alpes, que acolherá os XXVI Jogos Universitários de Inverno e a Capital Europeia da Juventude, que este ano decorre em Braga.
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