Rubrica : Emprego / Dinheiro
"Há vida para lá da dívida? Por outras palavras, se a Grécia ou outro país europeu entrar em incumprimento, quais são as perspetivas? Há vários exemplos de países que deixaram de pagar as suas dívidas, e a vida deles não foi assim tão má", disse Stiglitz, prémio Nobel da Economia em 2001, durante o IV congresso da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que se concluiu hoje em Lisboa.
"A Rússia [entrou em incumprimento] em 1999, e voltou aos mercados ao fim de um par de anos. A Argentina [entrou em incumprimento] em 2001 - e antes disso teve vários anos de estagnação e de desemprego a aumentar. Depois do 'default', ou seja da bancarrota, cresceu muito rapidamente até à grande recessão de 2008", acrescentou Stiglitz.
"Claro, o processo é muito duro, não o recomendava a ninguém", admitiu o economista. "Mas não é nenhuma surpresa que a vida depois da dívida possa ser boa. Os fundos que eram aplicados no serviço da dívida, que iam para o estrangeiro, podem passar a ser usados na economia, no próprio país, desde que haja um excedente primário [saldo antes de incluir as despesas com juros]", afirmou Stiglitz.
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