Rubrica : Emprego / Dinheiro
Schlecker abre falência, mas continua a funcionar no Luxemburgo
25/01/2012, Hugo Almeida
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Desde sexta feira, quando a Schlecker anunciou uma declaração de falência, que os trabalhadores da Schlecker vivem num oceano de incerteza. Os seus salários só estão assegurados por três meses, e a administração não dá mais nenhuma notícia.

 

A cadeia de drogarias alemã Schlecker, que também tem lojas no Luxemburgo e em Portugal, vai apresentar em breve declaração de falência, «para tentar salvar grande parte das filiais e postos de trabalho», foi anunciado pela empresa na passada sexta feira.

 

A situação é grave para os trabalhadores da empresa e nomeadamente para os do Grão-Ducado, onde a Schlecker tem 28 lojas. Depois do anúncio de sexta feira, a direção só enviou um mail a assegurar os salários para os próximos três meses; depois disso, todas as tentativas para obter mais informações foram infrutíferas.

 

Enquanto as prateleiras nas lojas se vão esvaziando por falta de aprovisionamento, uma notícia mais positiva surgiu via RTL: segundo a televisão, as lojas fora da Alemanha da empresa não estão afetadas pela declaração de falência. Mas nada foi confirmado oficialmente.

 

A LCGB tem agendada hoje com os 150 assalariados do Luxemburgo uma reunião de informação.

 

As lojas Schlecker, que empregam 30 mil trabalhadores na Alemanha e 17 mil no estrangeiro, «continuarão a funcionar como até aqui», garantiu um porta-voz na sede do consórcio, em Hamburgo.

 

Sujeita a forte concorrência num mercado muito disputado, a Schlecker teve, em 2010, uma quebra do volume de vendas de cerca de 650 milhões de euros, ano em que faturou 6,55 mil milhões de euros em toda a Europa.

 

Para 2011, receava-se nova baixa de receitas, segundo a imprensa alemã especializada. Por regra, a empresa, que tem uma política de comunicação restrita, não costuma divulgar as suas perdas e ganhos.

 

Nos últimos meses, a Schlecker já tinha encerrado cerca de 600 filiais em toda a Alemanha, mais abriu também algumas lojas novas. Recentemente, a empresa com sede em Ehingen (Baden-Wuerttemberg) anunciou que, até finais de março, iria fechar mais 600 filiais no país de origem que estão a dar prejuízo, e que mesmo depois de avaliadas «generosamente» mostraram não ter qualquer perspetiva.

 

A Schlecker mantinha ainda cerca de sete mil lojas na Alemanha e mais três mil no Luxemburgo, Áustria, Espanha, França, Itália, Polónia, Portugal e República Checa.

 

A empresa foi fundada em 1975 por Anton Schlecker, tornando-se em poucos anos a maior cadeia de drogarias alemã. Em 2010, os dois filhos do fundador, Lars e Meike Schlecker, assumiram o comando e iniciaram uma campanha de modernização das lojas, que além de uma imagem mais atraente incluía uma maior gama de produtos e uma maior adaptação às clientelas locais.

 

Segundo a Schlecker, nas lojas entretanto modernizadas as vendas subiram entre 8 e 30%, o que parece não ter sido suficiente, no entanto, para inverter a tendência geral de queda de receitas.

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