Rubrica : Emprego / Dinheiro
Caisse d'Épargne desafia possível perda do AAA: "continuaremos os melhores"
16/02/2012, Hugo Almeida
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A Moody’s anunciou alterações nas avaliações de 114 bancos de 16 países europeus. A BCEE está em risco de perder o seu precioso "triplo AAA", assim como sete bancos portugueses e outros 108 europeus poderão perder notação, o que lhes sairá caro.

 

Num comunicado publicado hoje, a Caisse d'Épargne (BCEE) luxemburguesa já veio reagir a esta ameaça da agência Moody's: lembrando que a BCEE é "a único banco de retalho a merecer uma notação de AAA em toda a zona euro", desafia dizendo que " "uma possível degradação da nossa notação para AA1 em vez de AAA teria efeitos muito limitados, dado que o banco continuaria a ter melhor notação entre todos os do seu setor".

 

Outros bancos também já reagiram às ameaças de degradação. Fernando Ulrich, presidente do BPI, banco português, considera que "as agências de notação mostram-se cada vez mais a perder a sua credibilidade. O mercado já não lhes reage como elas gostariam".

 

Depois de ter decidido cortar o "rating" a sete países europeus, incluindo Portugal, a Moody's ameaça agora fazer um corte de notações financeiras para os bancos espalhados por toda a Europa.

 

Em risco estão os “ratings” de seis bancos portugueses, num total de 114 instituições financeiras analisadas. Só 109 bancos viram a perspectiva dos “ratings” da dívida de longo prazo revista para “negativa”, o que indica que poderão surgir cortes nas notações financeiras. A principal causa é a crise de dívida que assola a Europa.

 

Os bancos com possíveis cortes de “rating” provêem de 16 países europeus: Áustria (8), Bélgica (1), Dinamarca (8), Finlândia (1), França (10), Alemanha (7), Itália (24), Luxemburgo (1, o BCEE), Holanda (6), Noruega (1), Portugal (7: a CGD, o BES, o BCP, o Santander Totta, o BPI, o Banif e o Montepio), Eslovénia (4), Espanha (21), Suécia (5), Suíça (2) e Reino Unido (9).

 

Estas decisões “reflectem, em graus diferentes, as pressões combinadas de: o impacto adverso e prolongado da crise da zona euro, o que torna o ambiente operacional muito difícil para a banca europeia; a deterioração do financiamento soberano, que levou a um ajustamento dos ‘ratings’ de nove países europeus a 13 de Fevereiro; e, no longo prazo, os desafios substanciais dos bancos e das entidades financeiras com actividades significativas nos mercados de capitais”, explica a Moody’s numa nota hoje emitida. A agência de notação financeira considera que estes factores se sobrepõem aos apoios que estão a ser disponibilizados pelos países ao sector financeiro.

 

A Moody’s diz ainda que, depois de concluída a revisão dos “ratings” hoje anunciada, as notações financeiras concedidas ao sector europeu deverão “reflectir totalmente” os efeitos dos factores adversos”, adianta a mesma fonte.

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