Rubrica : Mundo
O embaixador do Brasil no Haiti disse hoje que a segurança pública em Port-au-Prince está sob controlo e que o clima é de tranquilidade, três semanas após o terramoto que deixou em ruínas a capital e outras cidades próximas.
"A situação agora é de calma, tranquilidade e a segurança pública está sob controlo. Uma vez ou outra registaram-se incidentes isolados, mas não se pode dizer que houve caos no Haiti", afirmou Igor Kipman, por telefone, à Agência Lusa.
Na avaliação do diplomata, os "media" em geral procuram dar maior dimensão ao tumulto, mas o importante agora é "valorizar a solução", que passa pela ajuda internacional.
"O lado bom da catástrofe, de dimensão bíblica, como disse o ministro (das Relações Exteriores do Brasil) Celso Amorim, foi fazer com que o mundo despertasse para o Haiti", considerou Kipman.
O embaixador relatou que há hoje no país representantes e organizações de vários países e não somente dos Estados Unidos, Canadá, União Europeia e Brasil e que a ajuda humanitária chega de todos os cantos do mundo.
Em Janeiro, representantes das principais nações e organizações do mundo reuniram-se em Montreal, no Canadá, para traçar as linhas gerais para a reconstrução do Haiti, processo que estimaram em dez anos.
A expectativa agora é quanto à reunião de doadores para o Haiti, marcada para março, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Neste momento, segundo Kipman, a maior necessidade do país das Caraíbas, que já era o mais pobre das Américas antes do terramoto do dia 12 de janeiro, são tendas de lona para acolher os desabrigados.
"Precisamos de, no mínimo, 10 mil barracas, com urgência", destacou o diplomata brasileiro.
Igor Kipman salientou ainda que há uma perfeita coordenação entre militares brasileiros e norte-americanos no Haiti.
"Não há qualquer disputa de espaço. É uma desinformação dizer que há atritos entre brasileiros e americanos. Todos estamos a trabalhar para resgatar a dignidade do povo haitiano", enfatizou.
Questionado sobre a situação dos milhões de órfãos haitianos, os que estão em condições mais vulneráveis após o terramoto, Kipman avançou que o Governo do presidente René Préval suspendeu todos os novos processos de adopção.
Já os processos que estavam em andamento foram acelerados para serem concluídos o mais rapidamente possível.
A estimativa é de que existam actualmente cerca de dois milhões de crianças órfãs no país.
Segundo dados do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU, o número de mortos no terramoto é superior a 112 mil e os feridos totalizam quase 200 mil.
Há 482 mil deslocados e 3,7 milhões de pessoas a viverem em áreas atingidas pelo sismo, das quais pelo menos dois milhões dependem das doações de comida para sobreviver.
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