Rubrica : Cultura / Lazer
Já sabe onde vai passar o Carnaval? Dê um saltinho a Portugal
09/02/2010, Vera Monteiro/Agências
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Os carnavais não são apenas festas populares que unem a religião à tradição das máscaras. São também cada vez mais um negócio que movimenta milhões de euros, entre orçamentos e receitas de bilheteira, hotelaria ou restauração.

Em Ovar, naquele que é um dos mais concorridos carnavais do país, a organização que os festejos movimentem, só a nível local e “a contar por baixo”, mais de cinco milhões de euros.

Restaurantes com reservas esgotadas há semanas, unidades hoteleiras com capacidade lotada e pequenos estabelecimentos onde o consumo de bebidas se prolonga até às sete da manhã durante três noites - só isto já implica, pelas estimativas de José Américo Sá Pinto, um dos responsáveis da organização, “pelo menos dois milhões de euros de dinheiro em caixa”.

A isso soma-se a estimativa de 220 mil euros de bilheteira, 15 mil de patrocínios e ainda a existência de vários comboios especiais que partem do Porto e Aveiro com destino a Ovar, numa facturação para a CP de mais de 80 mil euros.

Na aquisição dos materiais para construir os carros fazer os factos, a organização conta com 600 mil euros, a que se somam as verbas próprias dos 19 grupos de Carnaval e das quatro escolas de samba que asseguram os principais momentos da festa.

Cada um dos dois mil figurantes pode ter que “investir no projecto entre 150 a 300 euros do seu próprio bolso”.

Naquele que é o carnaval tradicional de maior sucesso, em Cabanas de Viriato (distrito de Viseu) são esperadas cerca de 15 mil pessoas na tradicional "dança dos cus". O número é estimado com base nos autocolantes colados nos visitantes que deixam uma oferta para a organização, uma vez que se trata de uma festa de entrada livre.

Fernando Campos, da Associação de Carnaval de Cabanas de Viriato, considera que a grande afluência de pessoas à vila tem impacto nas unidades hoteleiras e na restauração da região.

Mais para o litoral, a restauração da Mealhada e do vizinho concelho de Anadia - ao longo do IC 2 - enche de foliões nos dias de desfile, Domingo e terça-feira, assegura Fernando Saldanha, responsável da associação promotora do evento.

O Carnaval da Mealhada espera 40 mil visitantes em dois dias de folia, que pagam, cada um, cinco euros pela entrada no sambódromo Luís Marques.

Cinco escolas de samba, responsáveis pelos fatos, e seis carros alegóricos - em construção, desde Outubro, por sete elementos da Associação Carnaval da Mealhada - participam no corso, que integra cerca de 800 figurantes.

Já na Figueira da Foz, o vice-presidente da Associação de Hotelaria e Restauração do Centro, Mário Esteves, considera que o Carnaval da Figueira da Foz/Buarcos permite “quebrar a sazonalidade” daqueles destinos turísticos.

Pedro Malta, administrador da empresa municipal Figueira Grande Turismo (FGT), espera a afluência de 50 a 60 mil pessoas - cada uma paga 3,5 euros de entrada - nos dois dias de corso.

Cerca de 600 participantes, de três escolas de samba e seis grupos de foliões, põem de pé o Carnaval: “todos trabalham na preparação”, revelou.

Mais a sul, na Nazaré, a Câmara estima que 80 000 pessoas visitem a vila mas o presidente da associação comercial, Abel Santos, adianta que o impacto na hotelaria é “residual” já que “são os restaurantes e os bares os mais beneficiados” com o Carnaval, sobretudo na terça-feira.

Em pleno Alentejo, o presidente da Câmara de Sines explica que a festa “tem um impacto significativo na vida do comércio local”. Cerca de 700 pessoas prepararam a festa, entre construtores de carros, grupos foliões, costureiras e escolas de samba, que esperam, “se fizer bom tempo”, entre 25 e 30 mil pessoas.

Estimado em 200 mil euros, o investimento no 53.º Carnaval de Sines inclui um "seguro especial intempéries", para precaver os prejuízos causados pelo mau tempo dos anos anteriores e, pensando ainda na crise, recorre à reciclagem de materiais usados em edições anteriores.

“Chegou a haver o perigo, há três meses atrás, de não se realizar o Carnaval”, revelou o presidente da autarquia, explicando os 50 mil euros de “subsídio extraordinário”, quer permitiram à Associação Siga a Festa continuar a organizar o certame.

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