Rubrica : Mundo
Os iraquianos votaram, ontem, domingo, pela segunda vez numas eleições legislativas desde invasão do Iraque, em 2003. Apesar dos atentados e da violência que provocaram a morte de 38 pessoas e feriram mais de 110 em todo o país, a afluência às urnas foi grande.
O Iraque terá dado, ontem, um passo decisivo para a concretização do país como Estado democrático e totalmente soberano. Um forte dispositivo de segurança tornou possível que milhões votassem na eleição de 325 deputados, apesar das bombas e dos morteiros que, desde manhã cedo, explodiram por todo o país. Grupos islâmicos sunitas radicais tentaram dissuadir a população de votar, mas segundo a Comissão Eleitoral, apenas duas das 50 mil mesas de voto tiveram de fechar por breves momentos, devido a questões de segurança.
"O que aconteceu motivou os eleitores a participarem", disse o primeiro-ministro iraquiano Nuri Maliki. "A maioria desses ataques foram pensados para aterrorizar psicologicamente os eleitores. Mas é bem conhecido que quando os iraquianos são desafiados pelo medo, desafiam de volta", acrescentou.
A evolução da situação política no Iraque é decisiva para a realização dos planos do presidente Barack Obama de continuar a retirada das tropas norte-americanas do território, durante os próximos cinco meses. No final do próximo ano, e a correr tal como o previsto, os soldados americanos deverão abandonar em definitivo o país.
"O Iraque é um dos países mais perigosos do Mundo e o problema não é tanto a violência, mas a natureza do processo democrático", escreve Jonh Simpson, correspondente da BBC News, em Bagdade. "Trata-se de uma democracia nova e o país não está ainda habituada ao processo. Poderá levar meses até haver Governo".
Os resultados das eleições de ontem são vistos como cruciais no processo de reconciliação nacional, já com a retirada das tropas americanas em perspectiva. Para os correspondentes em Bagadade, essa tarefa caberá muito provavelmente ao actual primeiro-ministro, que deverá sair vencedor do acto eleitoral de ontem.
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