Rubrica : Mundo
Grécia paralisada. Ninguém quer pagar a dívida (vídeo)
11/03/2010, José Campinho com agências
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Desde a meia noite que os transportes aéreos, ferroviários, terrestres e marítimos estão imobilizados na Grécia, que está igualmente sem serviços de rádio e televisão devido à greve geral de 24 horas que hoje decorre.


Desde a meia noite que os transportes aéreos, ferroviários, terrestres e marítimos estão imobilizados na Grécia, que está igualmente sem serviços de rádio e televisão devido à greve geral de 24 horas que hoje decorre.

A paralisação, a segunda em quinze dias, é organizada pelas centrais sindicais contra as medidas de austeridade extraordinárias aprovadas em fevereiro pelo Governo grego para tentar reequilibrar as finanças públicas.

As principais medidas do Governo incluem cortes salariais para os funcionários públicos, o congelamento das reformas e uma subida de dois pontos percentuais do IVA para 21 por cento.

Na capital grega, Atenas, está a funcionar apenas uma linha de metro para permitir aos grevistas deslocarem-se para os locais onde vão decorrer as várias manifestações convocadas pelos sindicatos, no centro da cidade, ao longo do dia.

Estão igualmente previstas outras manifestações nas principais cidades gregas, nomeadamente em Salónica, no norte, a segunda maior cidade do país.

A greve, que teve início às 00:00 locais (22:00 em Lisboa), deve levar ao encerramento das escolas e da generalidade dos serviços do sector público, ou a um forte abrandamento da sua actividade. Os hospitais públicos estão a funcionar com pessoal específico para os serviços mínimos.

A Grécia está igualmente privada de toda a informação devido à adesão à greve do sindicato dos jornalistas.

A agência de notícias nacional, a ANNA, interrompeu a sua transmissão noticiosa por 24 horas, a partir das 06:00 locais (4:00 em Lisboa) e hoje não há distribuição de jornais.

Com 500 mil filiados, a união sindical dos funcionários do sector público (ADEDY) apelou para a greve em protesto contra o congelamento das reformas e dos salários e contra cortes de prémios e horas extraordinárias.

A Confederação Geral dos Trabalhadores da Grécia (GSEE), que representa mais de 1,5 milhões de trabalhadores do sector privado, protesta contra os cortes salariais, que acredita poderem estender-se às empresas, apesar de a Câmara de Indústrias de Atenas ter dado garantias de que não adoptará esta medida aprovada para o sector público.

As greves sectoriais e manifestações têm-se sucedido nas últimas semanas, desde que foram aprovadas as medidas destinadas a poupar cerca de 4,9 mil milhões de euros e assim reduzir o défice público grego em quatro pontos percentuais, para 8,7 por cento do PIB, em 2010.

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