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Eleições França: O objectivo da participação política portuguesa é 2014
14/03/2010, Vera Monteiro/Agências
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A participação política da comunidade portuguesa em França “deve ter como meta as eleições municipais de 2014”, afirmou o autarca lusodescendente Hermano Sanches Ruivo à Agência Lusa em Paris.

A participação política da comunidade portuguesa em França “deve ter como meta as eleições municipais de 2014”, afirmou o autarca lusodescendente Hermano Sanches Ruivo à Agência Lusa em Paris.

Hermano Sanches Ruivo, conselheiro municipal de Paris eleito pelo Partido Socialista (PS), considerou também que “o debate sobre a identidade nacional francesa ofuscou a campanha” das eleições regionais, que se disputam hoje no dia 21 de Março em todo o país.

Os 44,28 milhões de eleitores insccritos vão às urnas para eleger os conselheiros regionais que, por sua vez, escolherão os presidentes das 26 regiões para os próximos seis anos.

Há 84 candidatos de origem portuguesa nestas eleições regionais, dos quais dezena e meia terão hipótese de ser eleitos, afirmou o presidente da Civica, associação de lusoeleitos de França, Paulo Marques.

“São, em todo o caso, poucos, muito poucos” os candidatos com ligações portuguesas, sublinha Hermano Sanches Ruivo, tendo em conta que concorrem a estas regionais mais de 20 500 candidatos em 254 listas.

“A meta é, por isso, as eleições de 2014. Agora, é infeliz porque [apenas] vamos descobrir algum eleito de origem portuguesa e com ligação forte à comunidade portuguesa, mas é evidentemente a árvore que esconde a floresta”, constata Sanches Ruivo.

“A esse nível, estas regionais são um teste e devemos pensar já nas próximas”, para onde se deve projectar o esforço de inclusão de candidatos de origem portuguesa, defendeu o autarca.

“Temos de pensar como é que um candidato, defendendo claramente um projeto, pergunta a eleitores portugueses se apoiariam um nome mais português nas listas. É uma espécie de preparação de um cocktail”, explicou.

O conselheiro municipal considerou que a campanha eleitoral foi “ofuscada” pelo debate sobre a identidade nacional, lançado pelo Presidente da República, Nicolas Sarkozy, e pelo ministro da Imigração e da Identidade, Éric Besson.

O debate da identidade nacional, disse Hermano Sanches Ruivo, destinava-se a tranquilizar uma parte do eleitorado em relação a temas como a imigração e a segurança, “do género, ‘não se preocupem que nós tratamos disso’”.

“O feitiço, porém, virou-se contra o feiticeiro. O debate começou mal e vai acabar mal”, vaticinou o autarca socialista, para quem as regionais “são claramente um teste nacional” à maioria de direita.

As sondagens mais recentes, divulgadas na antevéspera da primeira volta, apontavam para uma vitória clara dos socialistas (cerca de 30 por cento de intenções de voto) e da esquerda no seu conjunto (acima dos 56 por cento), anunciando uma derrota pesada para a União para um Movimento Popular (UMP), de Sarkozy.

A oposição de esquerda controla 20 das 22 regiões metropolitanas. Nas eleições de hoje e da próxima semana, os socialistas e aliados à esquerda podem fazer o pleno do “mapa cor de rosa” nos conselhos regionais.

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