Rubrica : Mundo
71% das câmaras municipais mexicanas são controladas por traficantes
01/09/2010, Vera Monteiro/Agências
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Uma comissão do Senado mexicano denunciou na terça feira que os traficantes de droga controlam completamente 195 câmaras municipais e influenciam outras 1536, que representam 71 por cento dos 2439 municípios do país.

O presidente da comissão de desenvolvimento municipal do Senado, Ramón Galindo, especificou que os grupos do crime organizado “controlam totalmente 8 por cento dos municípios e estão infiltrados em mais 63 por cento do total”.

No relatório, intitulado “Câmaras municipais e crime organizado”, elaborado por peritos e apresentado pela comissão, detalha-se a forma de operação destas células criminosas nas autarquias.

Na maioria dos municípios mexicanos existe uma estrutura criminosa capaz de controlar os negócios do crime organizado, a venda retalhista de estupefacientes, o cultivo e o tráfico de drogas, o sequestro e a extorsão”, alerta-se no documento.

O presidente da comissão explica que os municípios são presa dos grupos de criminosos porque são “o elo mais frágil”, devido à falta de dinheiro, à ausência de políticas económicas e sociais sustentáveis e ao abandono e desinteresse dos governos estatais e federal.

O estudo adianta que as máfias fizeram uma infiltração “expansionista, simples e sustentada” nas autarquias.

Da facilitação da venda de droga passou-se para o estabelecimento, a nível municipal, de apoio logístico, de uma infraestrutura, de cooperação política e do silêncio cúmplice, destaca-se no documento.

A análise considera ainda que a estrutura criminosa opera ainda “sob a segurança da corrupção, protegida politicamente e com apoio logístico dos polícias municipais”.

Galindo adverte que é “urgente” adequar políticas para fortalecer as autarquias, de maneira política e económica, para resolver este problema.

Afirma que é necessário que os funcionários das autarquias, os presidentes, os regedores e demais representantes “deixem de ser figuras decorativas” e se convertam em verdadeiros governantes próximos dos cidadãos.

O senador menciona que outro problema pendente é o das ameaças e inclusive as mortes nas localidades disputadas pelos traficantes.

Recorda que nos últimos três anos foram assassinados 41 funcionários municipais, entre presidentes, vereadores e candidatos autárquicos.

Galindo considera ainda que a luta contra o tráfico de droga iniciada pelo atual governo do presidente Felipe Calderón durará “muito tempo”, principalmente nas zonas de influência do crime organizado, uma vez que não existirão melhorias enquanto não houver uma estratégia de desenvolvimento social e económico de longo prazo.

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