Rubrica : Emprego / Dinheiro
BCL insiste ainda e sempre: "é preciso acabar ou limitar a indexação dos salários"
10/09/2010, Hugo Almeida
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Mais achas para a fogueira da indexação dos salários. Ontem, o presidente do Banco Central do Luxemburgo, o neoliberal Ives Mersch, voltou a atacar o sistema afirmando que é imperativo "eliminá-lo ou pelo menos limitá-lo".

 

Para o presidente do BCL, conhecido pelas suas posições de "falcão" - economista neoclássico defensor da ortodoxia - o futuro económico e financeiro do país continua tremido. Mersch afirma que são necessárias reformas para manter o crescimento, evitando uma estagnação que ameaçaria o nível de vida da população.

 

O némesis do banco central, claramente, é o sistema de indexação de salários em vigor. Mais uma vez, uma conferência de imprensa sobre outro assunto (a apresentação do boletim do BCL) descambou para uma crítica ao sistema, que Mersch acusa de "reduzir a competitividade e aumentar a inflação". Os dados da inflação do mês passado foram usados como comprovativo: a taxa de inflação foi de 2,5% em julho e as previsões do banco são que atinja os 2,7% no início de 2011. Em julho, logo após a atualização dos salários, numerosos prestadores de serviços aumentaram as suas tarifas.

 

Mersch propõe limitar a frequência da indexação de salários para "sair do círculo vicioso". E vai mais longe, ao escrever textualmente no relatório: "a médio prazo, o Luxemburgo deve limitar os efeitos negativos do índice ou mesmo suprimir este mecanismo. Desta forma, o Luxemburgo ficaria ao mesmo nível da maioria dos países europeus".

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